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Friday, August 25, 2006

GANDAREZ
PRESIDÊNCIA ABERTA








O Presidente da República, deixou para o fim do seu mandato a última presidência aberta ao distrito de Viseu e neste, ao concelho de Nelas, onde como se sabe, está integrada a freguesia de Canas de Senhorim, que a Assembleia da República elevou a concelho, nas que o Presidente Sampaio “vetou” um mês depois da aprovação.
Tudo o que se passou depois desse “veto”, já muito foi dito e escrito, mas a verdade é que o povo daquela freguesia não esquece o sofrimento porque tem passado, depois de um mês a dar largas ao seu entusiasmo pela recuperação do seu concelho.
E, quando tudo fazia prever, que a festa do passado dia 22 de Janeiro seria o acto final do “adeus ao Presidente de má memória”, este, decide incluir na sua presidência aberta, uma visita ao concelho de Nelas, que o povo de Canas de Senhorim considerou como a “última afronta” pela sua resistência.
Ora, se nas acções da venda de Urânio, o povo tinha demonstrado não ter “medo” de lutar pelo desenvolvimento da sua terra, o que obrigou ao envio de mais de meio milhar de polícias, para os camiões poderem sair das Minas da Urgeiriça, com a ida ao “terreno do inimigo”, o comandante supremo das forças armadas não podia reduzir os seus “efectivos”, pois nunca se sabe o que pode acontecer…
Vai daí, depois de colocar os seus homens nos pontos estratégicos do terreno de acesso e no interior do concelho de Nelas, sem dar “cavaco às tropas da comunicação social”, levou os guerreiros da esferográfica , microfone e imagem em “viagem secreta” a correr sérios riscos, caso a “batalha desse para o torto”… Mas, como mais vale prevenir que remediar e quando o comandante em chefe é um “paisana”…e não confia muito na estratégia do programa não divulgado, optou por uma “visita secreta” a uma empresa sediada na “fronteira” a alguns quilómetros de distância onde o inimigo se encontrava “sitiado”, embora já preparado para a “chegada das tropas adversárias”. E, como não há nada melhor que regressar aos tempos das batalhas antigas, agora em tempo de “euros”, a estratégia dos “sitiados” era recebê-las no território que juraram defender, “tocando os sinos a finados” e ter as “tarjas pretas”, preparadas para anunciar a “morte antecipada”, (salvo seja); das tropas invasoras, protegidas com o “escudo invisível”.
Mas, como o “visitante” queria cumprir uma promessa, que não a feita ao povo de Canas de Senhorim de elevar a sua terra a concelho, mas a de visitar todos os concelhos do país que encontrou, acrescidos dos que “aumentou no seu reinado”, excepto Fátima e Canas de Senhorim, que o “traço vermelho da censura” em tempo de democracia impediu se tornassem realidade; apesar de “ aprovados pelos representantes do povo na Assembleia da República”, como os que “revogou”…, a visita durou pouco mais de meia hora, tempo suficiente para deixar nas mãos da Presidente da Câmara de Nelas “a coesão do seu concelho”…Com este recado, onde por certo não houve tempo para uma visita serena à empresa que lhe abriu as portas, e está a laborar para aumentar o rendimento nacional; com receio que o inimigo “rompesse as barreiras” e não desse tempo para “reagrupar as tropas espalhadas no terreno”, arrancou a toda a velocidade, antes que fosse tarde…
Porém, o “pesadelo” do concelho de Nelas ainda não tinha acabado, porque, tal como no tempo de Jesus Cristo, as “mulheres” foram as primeiras a chegar ao “sepulcro”; em Canas de Senhorim, tinha ficado o Presidente da Junta de Freguesia a dar ânimo aos conterrâneos, por não terem ido descarregar a sua “ira” sobre quem tanto os fez sofrer. A verdade é que não estavam sós, porque na frente de batalha, como sempre tem acontecido nesta luta, meia dúzia de mulheres, “quais padeiras de Aljubarrota”, tomam a iniciativa de contrariar a estratégia do Comandante das Forças Armadas Portuguesas e infiltrando-se nos seus “ camuflados”, levando colada ao peito, a “bandeira da elevação da sua terra a concelho” que juraram defender até à morte, como muitas vezes o afirmaram noutras batalhas, conseguiram iludir os estrategas do “S.I.S.” à saída da fábrica que serviu de “quartel-general” da visita relâmpago a Nelas, do Presidente da República, que viu pela última vez ao vivo, o “símbolo da liberdade do povo de Canas de Senhorim” bem colado ao peito daquelas “mulheres de raça”“, que ainda um dia serão condecoradas por actos de bravura ao arriscar a vida, na defesa da sua terra contra um “exército armado até aos dentes” nas matas do concelho de Nelas, por um outro Presidente da República para quem a Pátria esteja acima dos “interesses pessoais e partidários”.
Por certo, enquanto decorria a viagem para Penedono o Comandante Supremo das Forças Armadas deve ter meditado no “fracasso da sua visita a Nelas”, mas ao mesmo tempo, admirado a bravura e patriotismo das gentes de Canas de Senhorim e talvez a pensar na ligação que o HINO NACIONAL tem às raízes daquela terra; e quem sabe, pensando baixinho: “eu não devia ter feito isto a esta gente que quer viver na sua terra e vê-la desenvolvida, porque esse direito lhe assiste” Seria por isso que anunciou em Tabuaço ser a favor da paz? Se é, porque levou tanta polícia para “atacar” um povo sem armas? Será que o Carnaval/2006 vai esquecer esta página recente da História de Portugal ?


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